Save The Date
A indústria de pneus e da reforma de pneus enfrenta uma transformação estrutural em escala global. Novas políticas públicas, marcos regulatórios ambientais mais exigentes e debates que, até poucos anos atrás, eram periféricos hoje ocupam o centro da agenda: direito ao reparo, responsabilidade estendida do produtor, restrições a produtos de uso único, rastreabilidade, padrões técnicos e comércio internacional sob critérios ambientais.
A economia circular deixou de ser uma aspiração voluntária para se tornar política industrial, regulação comercial e geopolítica econômica. Nesse contexto, a reforma de pneus não pode mais ser entendida apenas como uma atividade técnica ou um nicho de mercado: trata-se de uma infraestrutura estratégica para a transição produtiva.
Na América Latina, a reforma de pneus historicamente conviveu com tensões: entre informalidade e excelência técnica, entre sobrevivência econômica e contribuição ambiental, entre regulações importadas e realidades produtivas locais.
Hoje, essa etapa começa a se transformar. A região passa a compreender que o verdadeiro salto não é apenas tecnológico, mas institucional e organizacional. E, nesse processo, as entidades setoriais assumem um papel central.
Os avanços mais relevantes da reforma de pneus na América Latina não foram individuais. Foram coletivos.
As entidades setoriais cumprem hoje funções críticas para a sustentabilidade do setor:
Sem organização setorial, a reforma de pneus fica exposta.
Com entidades fortes, torna-se um ator com capacidade real de incidência.
A ANRE Colômbia tem demonstrado como uma atuação setorial consistente permite ordenar o mercado, dialogar com a autoridade ambiental e sustentar padrões técnicos em um contexto de crescimento e maior pressão regulatória.
A ARAN Argentina, mesmo em cenários econômicos altamente desafiadores, mantém uma discussão estratégica de fundo: a necessidade de hierarquizar a reforma de pneus como política industrial e ambiental, para além das conjunturas.
Ambos os casos confirmam uma lição comum: a indústria que se organiza permanece; a que não se organiza, fica à mercê do ambiente.
O Chile funciona hoje como um laboratório.
Um país pequeno, altamente aberto ao comércio internacional, com acordos de livre comércio com as principais economias do mundo e sem práticas de protecionismo industrial. Justamente por isso, qualquer transformação que ocorre no Chile é observada com atenção: ela não se explica por barreiras artificiais, mas por desenho regulatório, coordenação público-privada e capacidade de adaptação industrial.
A implementação da Lei REP e a incorporação explícita da economia circular abriram um novo caminho para a reforma de pneus. Não como uma atividade residual, mas como parte de uma rota renovada do espírito da reforma: estender a vida útil, maximizar o valor dos materiais e demonstrar que competitividade e sustentabilidade podem avançar juntas.
Dentro desse marco nacional, o papel da atuação setorial foi determinante.
A implementação da Lei de Responsabilidade Estendida do Produtor (Lei REP) para pneus obrigou a indústria chilena a enfrentar uma regulação exigente, inédita na região e observada internacionalmente. Diante desse cenário, a ARNEC optou por uma estratégia clara: influenciar, e não apenas resistir.
Por meio de um trabalho setorial técnico, consistente e coordenado:
A Lei REP deixou de ser apenas uma obrigação e passou a atuar como uma alavanca de transformação industrial, com implicações hoje observadas por outros países da região.
O Brasil ocupa uma posição singular. Não é apenas o maior mercado da região: é um ator global da reforma de pneus.
Essa escala implica uma responsabilidade estratégica. Os debates globais sobre economia circular, comércio, regulação ambiental e direito ao reparo impactam diretamente o Brasil e, por extensão, toda a América Latina.
O desafio já não é técnico. É político-industrial: como dialogar com o mundo sem perder competitividade, como antecipar regras e como construir posições comuns a partir da região.
Nesse contexto, a Pneushow se consolida como muito mais do que uma feira comercial. É um dos poucos espaços onde Brasil e América Latina podem se encontrar, compartilhar experiências e construir uma visão estratégica comum sobre o futuro da reforma de pneus.
Nesta edição, estarei presente para trocar visões, compartilhar aprendizados setoriais e dialogar sobre o papel da reforma de pneus na economia circular, na política industrial e nas novas regras globais.
Porque quando a indústria deixa de resistir e passa a influenciar, a conversa muda.
E o futuro também.Daniel Rojas Enos
Diretor Executivo
Associação Gremial de Reformadores e Renovadores de Pneus do Chile (ARNEC)
drojas@arnec.cl
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